“Abril Azul”: Mês de Conscientização sobre Autismo
O Autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que influencia as experiências e interações no mundo. Essa forma diferente do cérebro processar informações constitui uma neurodivergência e persiste por toda a vida. Há grande diversidade entre as pessoas com autismo, mas para o diagnóstico é necessário que todas manifestem dificuldades em comunicação, interação social, comportamentos e interesses.
Desde a primeira descrição do autismo pelo psiquiatra Leo Kanner, em 1943, os critérios diagnósticos, a classificação e a nomenclatura passaram por importantes transformações. Um marco relevante ocorreu em 2013, com a publicação da 5ª edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria, que adotou o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA), unificando sob uma única categoria diagnóstica as diferentes formas de apresentação do autismo como: Autismo Infantil Precoce, Autismo Infantil, Autismo de Kanner, Autismo de Alto Funcionamento, Autismo Atípico, Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação, Transtorno Desintegrativo da Infância e a Sindrome de Asperger (Saiba por que a síndrome de Asperger não existe mais no DSM-5 e na CID-11 – Autismo e Realidade)
Em 2022, a Organização Mundial da Saúde também incorporou essa terminologia e critérios na 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), consolidando o uso do termo TEA em âmbito global.
Sinais precoces do autismo podem ser notados já em alguns bebês no primeiro ano de vida. Outras crianças com autismo podem apresentar um período de desenvolvimento considerado típico e, por volta dos 2 anos, apresentar regressão em habilidades sociais e de comportamento. A maioria das crianças com autismo pode ser identificada a partir dos 18 a 24 meses, quando os marcos sociais e de comunicação ficam mais evidentes. Entre os sinais que merecem atenção, estão:
- Dificuldade para interagir, manter contato visual ou se expressar por gestos e expressões faciais;
- Dificuldade para demonstrar ou compartilhar emoções;
- Tendência ao isolamento social;e
- Pouca atenção compartilhada com cuidadores sobre objetos, interesses;
- Atraso na fala ou perda das palavras já adquiridas;
- Uso repetitivo da linguagem (ecolalia) e dificuldade para iniciar ou manter trocas sociais, sorrisos;
- Apego excessivo a rotinas e interesses restritos;
- Movimentos repetitivos (estereotipias), como balançar o corpo, bater as mãos ou girar objetos;
- Interesse intenso em temas ou atividades específicas (hiperfoco);
- Seletividade alimentar, com recusa de certos alimentos ou preferência por determinadas texturas e marcas;
- Alterações sensoriais, como hipersensibilidade a sons, luzes, texturas e cheiros;
- Pouca busca por conforto nos cuidadores quando está triste ou assustada.
Para o diagnóstico, não é necessário que todos esses sinais estejam presentes, e eles podem variar em intensidade e apresentação entre indivíduos. Somente profissionais de saúde especializados podem diagnosticar o TEA e indicar as intervenções para cada caso. É essencial que tanto o diagnóstico como a intervenção sejam pautados em práticas baseadas em evidências científicas.
Fonte das informações:
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