"Maio Roxo": Mês de Conscientização sobre Doenças Inflamatórias Intestinais

As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são condições crônicas que afetam o trato gastrointestinal, comprometendo a absorção de nutrientes e o funcionamento do intestino. Elas não têm cura definitiva, mas podem ser controladas com acompanhamento médico adequado. As duas principais formas são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa — ambas de caráter autoimune e que exigem atenção contínua ao longo da vida.

O mês de maio é dedicado internacionalmente à conscientização sobre essas doenças e recebe o nome de "Maio Roxo". A data mais importante da campanha é o dia 19 de maio, o Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal, instituído em 2010 e celebrado em mais de 50 países. No Brasil, a campanha é promovida pela Associação Brasileira de Colite e Doença de Crohn e tem como objetivo informar a sociedade sobre causas, sintomas e tratamentos disponíveis.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), as DII afetam mais de cinco milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a prevalência é de cerca de 100 casos para cada 100 mil habitantes, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste. Nos últimos anos, o número de diagnósticos tem crescido de forma significativa, especialmente entre jovens adultos entre 18 e 40 anos — mas todas as faixas etárias podem ser afetadas.

A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do sistema digestório, da boca ao ânus, e em sua forma grave pode comprometer tecidos profundos. Já a Retocolite Ulcerativa é restrita ao intestino grosso (cólon) e ao reto, causando inflamação que pode ou não formar úlceras. Os sintomas das duas são semelhantes e incluem:

- Diarreia persistente por mais de 30 dias;
- Dor abdominal importante ou recorrente;
- Sangue nas fezes (mesmo em pequenas quantidades);
- Perda de peso involuntária;
- Anemia e fadiga extrema sem causa aparente;
- Redução do apetite;
- Febre;
- Urgência para evacuar;
- Alterações na pele e nas articulações (manifestações extraintestinais).

Por serem sintomas comuns a outras condições, o diagnóstico preciso depende de investigação cuidadosa. O exame considerado padrão-ouro para detecção é a colonoscopia. Falar sobre sintomas intestinais ainda é um tabu para muitos pacientes — e por isso a conscientização é tão importante. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações, reduzir a mortalidade e garantir melhor qualidade de vida.

Entre os fatores que podem contribuir para o aparecimento das DII estão: predisposição genética, gatilhos ambientais como tabagismo e estresse, uso de antibióticos e anti-inflamatórios, infecções e dieta ocidentalizada rica em ultraprocessados. Embora não haja cura, os tratamentos modernos — incluindo imunossupressores e terapia biológica — permitem que os pacientes alcancem períodos de remissão e vivam com mais qualidade de vida.


Exames Laboratoriais no Diagnóstico das DII

Não há um marcador específico capaz de definir sozinho o diagnóstico, nem da Doença de Crohn nem da Retocolite Ulcerativa. No entanto, alguns exames laboratoriais são indicativos importantes para o raciocínio clínico do médico assistente. Realizá-los com regularidade pode fazer toda a diferença para um diagnóstico precoce e um acompanhamento eficaz:

Hemograma
Auxilia na avaliação de inflamação, anemia e infecções associadas — sinais frequentes nas DII.

Proteína C Reativa (PCR) e Velocidade de Hemossedimentação (VHS)
São marcadores importantes de inflamação no organismo. Ajudam a identificar que há um processo inflamatório em curso, embora não indiquem com precisão onde ele está ocorrendo.

Calprotectina Fecal
Poderoso auxiliar no diagnóstico e acompanhamento dos pacientes com DII. Esse exame é capaz de determinar o grau de intensidade do processo inflamatório no intestino e auxilia muito na avaliação da resposta aos medicamentos ao longo do tratamento.

P-ANCA e ASCA
São dosados no sangue para auxílio no diagnóstico. Não definem com certeza se a condição é Retocolite ou Doença de Crohn, mas permitem um direcionamento importante em casos mais difíceis de diagnosticar.

Além desses, exames de fezes avaliam o funcionamento intestinal e ajudam a identificar infecções ou inflamações, sendo essenciais também para o diagnóstico diferencial — ou seja, para descartar outras condições com sintomas semelhantes. Durante o tratamento, os exames laboratoriais continuam sendo fundamentais para monitorar a evolução da doença e a segurança do paciente.

Não ignore os sinais do seu corpo. Se você apresenta alterações intestinais persistentes, dor abdominal recorrente, sangue nas fezes ou cansaço inexplicável, procure um médico e solicite avaliação. A saúde intestinal influencia desde a absorção de nutrientes até o funcionamento do sistema imunológico — e cuidar dela é cuidar de todo o organismo.



Fonte das informações:

Saiba mais sobre as DII no portal da Sociedade Brasileira de Coloproctologia; acesse clicando aqui.

Você também pode saber mais sobre os exames no portal do Dr. Bruno Coloproctologista; acesse clicando aqui.